terça-feira, 26 de novembro de 2013

DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL, CULTURAL E SOCIAL

O Brasil foi colonizado sem uma estrutura educacional. Diferente dos Estados Unidos, colonizado pela Inglaterra, que logo de início já levou para as treze colônias, o sistema de ensino universitário. 

No Brasil colônia de Portugal, muitos dos conhecimentos eram transmitidos de pais para filhos, sobre o que aprenderam com seus antepassados e na vida prática. Alfabetização era uma coisa alheia e até mesmo por falta de mestres. Até que em trinta anos passados da chegada de Pedro Álvares Cabral, Portugal enviou pessoas para funções diversas e inclusive os Jesuítas, que foram os primeiros iniciantes na educação de poucos privilegiados e até nativos. Quando da chegada de Dom João VI, que logo fez algumas melhorias para a colônia e inclusive instituições de educação, que na verdade o acesso era para poucos e especificamente aos nobres. Quem tinha melhores condições financeiras, enviaram seus filhos para estudarem em Portugal e França. Levou algum tempo, para que aqueles que adquiriram conhecimentos fora do Brasil se tornassem os novos mestres brasileiro e daí melhorar a alfabetização e a criação de estabelecimentos de ensino.

Dores de Campos teve como início, a implantação de uma fazenda, por Bernardo Francisco da Silva e que logo se transformou em Lugarejo do Patusca e posteriormente em Distrito de Dores do Patusca, que tinha especificamente atividades agropecuárias, que logo foi diversificando atividades e como principal, a industrialização do couro. A medida que foram aumentando famílias, pessoas que vieram de outros lugares e se estabeleceram no lugar, o Distrito de Dores do Patusca foi se formando em um aglomerado maior de residências, casas comerciais e indústrias. Aos poucos, os habitantes do Distrito do Patusca almejaram algo a mais e que pudesse lhes dar melhores condições de vida, o conhecimento, através do aprendizado escolar. 

Dores de Campos, já com algumas Indústria e Comércio

 

O primeiro sistema de ensino em Dores foram domiciliar, a quem se interessasse em aprender a ler e escrever. Posteriormente foi implantado uma forma de estender alfabetização para mais pessoas e principalmente crianças. Não havia cadernos e usavam a Lousa (um pequeno quadro em que se escreviam, apagavam para escrever novamente).


Primeiro estabelecimento de alfabetização em 1880
O primeiro estabelecimento de alfabetização já foi um grande passo para o desenvolvimento básico do conhecimento. Não havia salas específicas e os alunos se ajeitavam como podiam. Importante era aprender a ler e escrever.

Em 1880 foi criada a primeira escola pública no Distrito de Dores do Patusca. Cujo sistema de ensino, destinava-se para pessoas do sexo masculino,  e os primeiros professores foram: Belarmino Antônio Cardoso, Carlos Vale, Auréliano Marques e Martiniano Tito Muniz.

Posteriormente,  em 1890, foi criada outra escola para o sexo feminino, cuja professora foi: Honorina Josefina Muniz.

Randolfo Teixeira de Carvalho, filho de Vicente Teixeira de Carvalho, nasceu na fazenda do Macau, zona rural do Distrito de Dores do Patusca.
Randolfo Teixeira de Carvalho
Com esforços, obteve para o Distrito de Dores do Patusca:
  •  Criação da Agência do Correio; 
  •  Duas escolas, uma para o sexo masculino e outra para o sexo feminino;
  • A criação do Grupo Escolar, que tem seu nome.
O Prédio em destaque, foi a primeira versão do Grupo Escolar Randolfo Teixeira
Com a formação educacional das primeiras turmas, logo alguns já almejaram melhorias de conhecimentos, indo continuar os estudos em outras cidades, mais especificamente em São João Del Rei, que naqueles tempos era usado o sistema de internatos. Quem dispunha de condições financeiras e pudesse custear as estadias de seus filhos em colégios de internatos enviavam seus filhos para o Ginásio Santo Antônio e para o Colégio Nossa Senhora das Dores, ambos em São João Del Rei, Minas Gerais. Poucos tinham a chance e o privilégio de poderem continuar seus estudos. Formavam-se no Grupo Escolar Randolfo Teixeira e não tinham condições de prosseguir. 

Em 1938, o Distrito do Patuscas se emancipou e com a mudança do nome passou para Dores de Campos, nome escolhido através de Plebiscito e cujo primeiro prefeito nomeado pelo Juiz, da Comarca de Prados, foi Ildefonso Augusto da Silva, que governou até 1945.

Já na década de 1950, iniciou-se a construção de um novo estabelecimento escolar. Maior e com mais quantidade de salas para atender à crescente população. Mas ficou um bom tempo por terminar e serviu até de moradia para algumas pessoas. No início do ano 1960, o Grupo Escolar Randolfo Teixeira precisou de reformas e os alunos foram estudar em cômodos cedidos por instituições (Sede das Bandas, Clubes e outros), ou onde pudesse servir de sala de aula, em diferentes pontos da cidade. Nessa mesma época, Padre João Cupertino, iniciou o Ginásio, que aproveitava os espaços do Salão São Thomaz de Aquino (Salão Paroquial), para ministrar as aulas. Enquanto isso era construído o Prédio do Colégio. Logo que terminou as reformas do Grupo Escolar Randolfo Teixeira, deu-se o inicio da reconstrução do estabelecimento iniciado nos anos 1950 e logo que ficou pronto, foi inaugurado com a denominação Escola Estadual Duque de Caxias. Com esses estabelecimentos prontos para funcionar, os alunos puderam voltar para os novos estabelecimentos de ensino, com mais conforto, melhores acomodações e áreas sanitárias.
Professoras desse tempo: Dona Anésia (Esposa de Waldemar Aliane), Dona Nilma Ferraz (Filha de Celestino Ferraz), Dona Marieta, Dona Francisquinha (Mãe de Rômulo Cesário e irmã de Cap. Gil), Dona Cecília (Esposa de Cap. Gil), Dona Elza Ladeira (Esposa de Zequinha Ladeira), Dona Elça Amaral Belchior, Dona Ilza (Esposa de José Newton), Ruth Ferraz e Silvinha Ferraz (Filhas de Manoel Ferraz), Dona Malvininha, Dona Áurea (esposa de wilson Virgolino),
  
O segundo prédio à direita é o Grupo Escolar Randolfo Teixeira.


O prédio em construção, ao fundo, é a Escola Estadual Duque de Caxias. Construção parada por anos.
Prédio utilizado por Pe. João Cupertino, no começo do Ginásio.

Muitas famílias eram numerosas e o sustento provinham do trabalho, que em sua maioria foram as selarias (criadas em meados do século XIX, de 1850/1860). Por causa da grande demanda de mão de obra, os operários ganhavam o suficiente para priorizar as despesas domésticas. As principais selarias foram de: Antônio Arruda de Souza, Altivo Moncorvo, Manoel Ferraz, Antônio Ferreira Nery, João Sena, José da Silva Senna(Miudo), João Ferreira Filho, Cota Teixeira.






Nos anos 1930 e 1940 as montarias mais fabricadas eram o Silhão (um dos maiores fabricante de Silhão foi Altivo Moncorvo) e montarias rústicas, acessórios como: arreatas para carroças e charretes, estribos, rédeas, barrigueira, cilhas, mantas e outros que se faziam nessários. O Silhão, com acento macio e um pequeno encosto era uma montaria confortável destinada às mulheres, que naqueles tempos poucas usavam calças compridas e podiam montar descontraidamente, ou fazer longas viagens a cavalos.
 
Silhão


Adalberto Lopes Pereira, grande empresário dorense, que por volta de 1950 pôs para funcionar uma grande fábrica. Com maquinários diversos, seus produtos eram a base de fiação e urdimento da lã de ovelhas, matéria prima para o produto final. Também, fabricou-se muitos acessórios para o Exército Brasileiro, Dragões da Independência e ainda funciona com a fabricação do artesanato em bolsas em diversos modelos.
Fábrica de Adalbero Lopes Pereira

As atividades de Tropeiros foram ficando difíceis. Primeiro pela dificuldade em encontrar pessoas dispostas para a jornada; segundo que alguns empresários já almejavam expandir suas produções e novos produtos; terceiro que alguns já possuíam condições de ter um veículo para viagens. 

Por volta dos anos 1970, alguns empresários já formavam grandes depósitos de mercadorias prontas e contratavam pessoas para representantes da empresa. O funcionamento foi assim: o empresário fornecia carro, amostras de mercadorias e o representante procurava pelos fregueses; depois de um a dois meses voltavam com os pedidos; chegando à empresa e com os pedidos, já procuravam colocar as mercadorias em embalagens, para despachos nas transportadoras. Um representante fazia um rodízio de quatro a cinco viagens por ano e percorria grandes distâncias e muitos clientes a visitarem em diversas cidades e Estados pelo Brasil. 




Além das montarias e acessórios que já fabricavam, passaram também a fabricar selas completas, mais confortável e acabamento melhor já com os acessórios. Ficando uma montaria mais em conta. A variedade de modelos foram aumentando em diversos modelos e até mesmo para hipismo.



Durante um bom tempo, Dores de Campos tinha como fonte de energia a Hidrelétrica de Manoel de Azevedo e que por abastecer várias cidades vizinhas foi ficando cada vez mais fraca. Em princípio de 1960 foi instalada a energia gerada pela CEMIG, que possibilitou a implantação de novas atividades, como a fabricação de elástico para botinas, ou sapatão. A primeira fábrica de elástico no Estado de Minas Gerais foi introduzida por Sebastião Rezende e seus filhos Manoel Nei de Rezende e Antônio Rezende, que era denominada Rezende & Filhos Ltda. Com a fabricação do elástico, possibilitou a abertura de diversas sapatarias, para atender à grande demanda pela procura da botina, um calçado rústico e que destinava mais aos trabalhadores  nas fazendas. 


Para o escoamento da produção de montarias e seus acessórios houve a necessidade e coragem de alguns em criarem a atividade de Tropeiros. Com uma leva de 10 a 12 burros formava-se as tropas, na ordem; burro de guia, burros para cargas e o burro com os apetrechos da cozinha e cada burro com dois balaios para acondicionamento das cargas. Também, a formação dos tropeiros; comerciante, ajudantes na carga e descarga e o cozinheiro. As mercadorias eram adquiridas por consignação e o tropeiro comerciante acertava as contas, quando voltasse da viagem. Os Tropeiros visitavam várias localidades e muitas vezes diretamente as fazendas. Quando chegavam das viagens, acertavam as contas e já deixavam novos pedidos para serem juntadas as mercadorias que deveriam levar na próxima jornada a cerca de dois meses. Enquanto isso, faziam vários serviços que o povo necessitava, como entregas de lenha nas residências principalmente.



Uma coisa ligava a outra. As selarias dependiam dos Tropeiro, para escoamento da produção, e, que dependiam de bons rendimentos, para trazerem de volta os recursos financeiros de que as indústrias precisavam para sobreviver e para que os trabalhadores terem seus vencimentos para sustentação de si próprio e de sua família. A situação era de constante luta pela sobrevivência.

Na atividade de barbearias, o mais antigo era conhecido como Reboquê, que fazia barbas e cortes de cabelos dos homens. Para as mulheres havia Dª. Maria José Teixeira (Dona Nhanhá), como era mais conhecida.
Reboquê, trabalhador na atividade de Barbearia




OBS.: Matéria postada com falta de alguns dados. Na medida do possível e na espera de informações das pessoas da cidade de Dores de Campos possam contribuir com alguns nomes, ou algo que possa ilustrar melhor este assunto.